Mensagem do Presidente da Assembleia Municipal - 25 Abril

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Mas graças aos inumeráveis resistentes ao fascismo, graças ao movimento dos capitães, graças aos partidos, aos sindicatos, às universidades, às igrejas e às forças armadas do pós-Abril, graças a todos nós, vivemos hoje num Estado de Direito Democrático sem qualquer tipo de condicionalismo ou reserva. Por maior que seja a desilusão provocada por momentos menos positivos vividos ao logo destes 46 anos, não podemos nunca esquecer nem subvalorizar este tempo de liberdade democrática conquistada com muito sangue e muitas lágrimas.

 

 

O País é hoje uma realidade social, cultural e económica, que nada tem a ver com o Portugal de há 46 anos atrás. Com grande entusiasmo, construiu-se a universalidade na educação, na segurança social e na saúde. Aprovou-se uma nova Constituição assente na dignidade da pessoa humana, na liberdade e na defesa dos direitos humanos. Consagrou-se um novo patamar que possibilitou a igualdade entre homens e mulheres, fazendo-se apelo a uma cidadania organizativa, melhorando-se imenso as condições de vida dos portugueses nomeadamente na habitação, na saúde, na economia, nos meios de comunicação, nas oportunidades de qualificação para as novas gerações, na solidariedade para com os mais velhos, na participação e na liberdade de expressão. Hoje somos um País livre, e ontem não o éramos. Hoje somos europeus, e ontem estávamos “orgulhosamente” sós. Hoje vivemos numa democracia, e ontem sofríamos os horrores de uma ditadura.

Construímos um Estado social onde no passado havia miséria e desamparo. É certo que continuamos ainda com muitos problemas. Alguns são novos: o mais grave de todos é o envelhecimento demográfico e a quebra da natalidade. Outra situação preocupante, é a desertificação humana do interior. Mas, mais grave ainda, é a vulnerabilidade da nossa economia aos choques financeiros além fronteiras que destroem toda a arquitetura económica dos países mais frágeis. Muito recentemente, o nosso País sofreu as consequências desses choques internacionais. Hoje, esse período menos bom, está quase debelado graças à abnegação e à atitude sempre corajosa que caracteriza os portugueses. Mas como diz o poeta: “é nos momentos difíceis que se avalia a resistência de um Povo”. Nós somos oriundos daquela gente que desbravou mares nunca dantes navegados e que trouxe novos mundos ao mundo. Somos aquele povo que globalizou o comércio e fundou as grandes praças orientais. Somos um povo capaz de cumprir Abril em toda a sua dimensão interdisciplinar. As dificuldades sempre existiram e estas nunca nos derrubaram, porque sempre soubemos fazer das tormentas” Boa Esperança”. Resta-nos então perguntar: onde estará “Abril” no futuro?

Como escreveu Manuel Alegre: "tem que estar sempre no coração dos vocábulos da luz, que trazem a manhã guardada na secreta bagagem da alegria"

 

Jorge Machado